Opa! Vou contar rapidamente como me tornei freelancer, quais foram minhas dúvidas e quais os dois caminhos que podemos tomar sendo “freelas”. Bora!

Lembro-me como se fosse hoje, meados de 2009, eu trabalhava numa empresa de comunicação visual (impressão etc.) como arte-finalista e sem muita pretensão criei um perfil em algum site de freelancing. Alguns dias após deixar o emprego – no qual eu criava, fechava arquivo e operava plotter – recebi a ligação de um possível cliente que não sei porquê cargas d’água viu algo de bom no meu perfil (eu ainda estava começando) e entrou em contato a respeito de criação de layout para alguns impressos, uma gráfica que também estava iniciando no ramo com pequenos clientes. Algo muito sutil ainda, mas instigante, era meu primeiro job como profissional sem depender de patrão!
 
Como ser freelancer
Bom, eu fiz esse trabalho, ganhei a grana – correspondente hoje a um Kinder Ovo acredito eu – e me senti inspirado e preparado para iniciar algo que eu vinha ensaiando há algum tempo: criar um site simples (eu ainda era fraco em web também) e divulgar meus “serviços” como freela pra geral. Dito e feito.
 
Semanas depois, recebi uma mensagem via site (duas coisas raras: contato qualificado via formulário e site novo aparecendo facinho na primeira page do Google. Bons tempos…). Meu possível cliente queria um hotsite para captar dados de futuros compradores (hoje chama-se landing page rs) para seu produto e mais: animado. Em Flash! Lembra do Flash?
 

“Primeiro aceita, depois se vira”

 

Me fiz então duas perguntas. “Eu sei fazer site dinâmico, com inserção de dados em banco?” NÃO. “Eu sei fazer site em Flash, com animação simples e musiquinha de fundo?” Também NÃO. Então tive que ser firme e dizer ao senhor empresário com toda a franqueza: “Claro que faço. Tranquilo! Vou lhe enviar uma proposta por e-mail ainda hoje”.
 
Esse primeiro desafio foi importantíssimo para o meu desenvolvimento e a melhor atitude foi aceitá-lo, pois, durante os próximos vinte dias eu tive que correr atrás e aprender várias coisas que dias antes eu não fazia ideia. E no fim deu tudo certo! Ufa…
 
Resumindo (não que lhe interesse, mas) eu acabei voltando para esse emprego depois passei pra outro, mas sempre “freelando”, até que um dia larguei tudo e fui focar 100% na minha primeira aventura empreendedora (conforme contado no post “Gênesis Criativo”).
 
Desde então, comecei entendendo que, para que a coisa toda fosse pra frente eu deveria tentar sair da minha zona de conforto – aquela velha e verdadeira história – topar desafios, aprender coisas novas e não temer o desconhecido em relação a técnicas, trâmites etc. Primeiro aceita, depois se vira (esse foi meu lema na época, rs).
 

Quais são os dois caminhos? E qual seguir?

 

Para entrarmos no incrível (mas ainda mal compreendido) mundo dos freelancers temos que ter em mente as premissas básicas que qualquer trabalho autônomo – e principalmente artístico – apresenta, ou seja, persistência, realismo, correr atrás, não parar jamais de estudar e buscar novos conhecimentos práticos, teóricos, tendências do mercado etc.
 
De início os receios e dúvidas são sempre iguais para qualquer um que se aventura nessa jornada, como, “quanto cobrar?”, “como faço um contrato?”, “como apresento uma prévia do trabalho?”, “o que acontece se o cliente não me pagar?” entre outras. Primeiro, você precisa decidir se irá basear o preço do seu trabalho em horas de execução, preço fechado, por complexidade, enfim, sobre contrato você precisará se atentar bastante para que tenha o máximo de segurança possível e não levar um ‘calote’ ou mesmo ficar eternamente alterando um trabalho sem ganhar a mais por isso.
 
Os dois caminhos mencionados no início, ou mesmo, os ‘dois tipos de freelancer’ como eu costumo nomear, dizem respeito à: ser freelancer conciliando ao seu emprego (complemento de renda) ou ser freelancer full-time.
 
Os dois tipos de freelancer
O primeiro tipo, o mais comum ainda hoje, é simplesmente você aceitando trabalhos extras com o intuito de fazer uma grana a mais, se desenvolver melhor, treinar suas aptidões como profissional e/ou empreendedor, ou seja, ter um pequeno negócio paralelo que gere pouco ou nenhum custo, lucro máximo (por ser venda de serviços) e sem abrir mão de sua estabilidade.
 
“Freelar” full-time já é outra história… Ao fazer parte desse segundo tipo suas responsabilidades aumentam significativamente, a pressão interna dá as caras e você começa a ter o gostinho de como é ter um negócio, de como é gerenciar uma ‘empresa’ e não deixar a peteca cair, claro, geralmente numa jornada solitária.
 

Jornada solitária, porém, gloriosa

 

Mas tem alguma coisa boa, algo positivo nessa escolha? Sim! O fato de agora você ter controle total e 100% do tempo dedicado ao seu trabalho lhe dá a oportunidade de batalhar muito e fazer acontecer do seu jeito, mesmo porque os resultados agora só dependem de você, assim como numa bicicleta, se você para de pedalar ela para e você cai. Simples assim. Se você é uma pessoa que corre atrás, os resultados vêm, pode ter certeza.
 
O que ocorre naturalmente é que muitos freelancers do “primeiro tipo” em determinado momento optam por deixar seus empregos e tentar a vida com freelancing apenas, resumindo, a famosa empresa de uma pessoa só. Ironias a parte, se você pretende ser dono do seu tempo, ter flexibilidade e maior lucro, isso é pra você sim, mas lembre-se, somente com persistência e criatividade que você vai longe, pois, a grande maioria (assim como ocorre com novas empresas aqui no Brasil) desiste dessa vida em certo ponto e acha que esse formato não funciona, que é ilusão etc. Mas não. Hoje existe uma infinidade de profissões e habilidades que permitem esse lifestyle e faz muita gente feliz, realizada e bem-sucedida.
 
Pra finalizar…
A decisão de ser freelancer, apesar das dificuldades, pode ser a porta de entrada para o seu sucesso. O aprendizado que se obtém e as qualidades que se mostram nessa forma de trabalho vão, no mínimo, agregar e muito na sua carreira. E aí? Essa vida é pra você?